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Como escolher o melhor médico e o melhor hospital?

É comum observarmos escolhas baseadas na marca. As marcas trazem um resumo, uma imagem, um significado agregado. Mas desde que inventaram o “marqueteiro” que as marcas sofrem algumas distorções da realidade. Apropósito, qual é o hospital que investe em aprimoramento contínuo de seu pessoal médico? Sequer são funcionários daquela instituição em sua maioria. Se orgulham em dizer que são hospitais abertos receptivos a todo profissional que queira internar seus pacientes, se isentando assim de qualquer compromisso com gestão. Alguns ainda selecionam os melhores currículuns, mas quantos currículuns ou indicações não passam de auto promoção tombando na primeira avaliação de suas chefias… O fato é que a instituição hospitalar ganha com a não gestão! Ficar mais tempo internado aumenta a taxa de ocupação hospitalar. Abusar da solicitação de exames, material e medicamentos aumenta a receita da instituição e ilude o paciente que acredita na parafernália… Afinal, de que estamos falando? De Shopping Centers ou nosocômios? Em tecnologia de produto ou tecnologia de processo? Do que vender ou de como intervir? Já não é de agora que o mercado despeja produtos, novidades, sem uma avaliação de processo criteriosa. Indicá-los para depois baratea-los e só então entende-los… Na história brasileira já ouvimos coisa parecida: “fazer o bolo crescer, para depois dividir”… É como funciona! Não há crivo do fornecedor ou da instituição promotora, o hospital. De fato estes artefatos agregam uma imagem de modernidade imprescindível aos profissionais e instituições que só se preocupam em trabalhar a marca e não seus conteúdos. São os “marqueteiros”de plantão!
Então como avaliar? Avaliar é julgar e julgar é dizer sim e não. Vivemos um momento político que dizer não só traz problemas e exclui os autores dos grupos e instituições. Sendo assim, seguimos dizendo sim… até que Deus ou a vida nos diga não… e ela nos diz…
O diligente maior da saúde do paciente é o médico. O discurso hipocrático de que o médico deverá limitar a interferência alheia, cabe não apenas a familiares leigos onipotentes, mas, há meu ver, também a outros médicos menos atentos com o resultado final. Isto se revela especialmente quando falamos de pacientes graves:
O Sr Newton, na UTI por uma função renal prejudicada agudamente. Internado no melhor hospital, com os melhores médicos e filho de médico, estavam todos crendo que a causa deveria ser um câncer. Os apelos do filho médico para iniciar imediatamente um tratamento, pois o que estava em jogo era o rim do paciente, não foi atendido sem antes submetê-lo a uma biópsia para melhor definir o diagnóstico. O que é uma conduta dita correta, se não fosse pelo fato desta biópsia levar uma semana para expor seu resultado. Não houve o cuidado nem do cirurgião, nem do oncologista, com títulos no exterior, em exigir uma biópisia por congelação, procedimento este que mostraria o resultado ainda no centro cirúrgico, possibilitando a introdução de um tratamento que poderia salvar seu rim e sua vida. Uma vez com insuficiência renal, este paciente se submeteu a diálise. Antes da introdução do procedimento, novamente o filho médico questionou o fato de iniciarem a diálise pela máquina com cateter venoso ao invés de fazer a diálise peritoneal, procedimento este mais simples, mais barato, porém mais trabalhoso para os profissionais envolvidos. Por não haver nenhuma contra indicação formal a hemodiálise, eleita pelos médicos assistentes – a máquina de última geração – o filho médico do paciente se calou, posicionando-se eticamente em seu lugar de filho e outorgando a decisão a quem estava no papel de cuidador. Duas semanas após este paciente faleceu por uma trombose provocada pelo cateter da hemodiálise. Não obstante ao fato deste paciente ser meu pai e da saudade natural que a situação impõe, como disse anteriormente, ele estava no melhor hospital e com os melhores profissionais e se tratava de um paciente grave. Mas, sem dúvida, talvez ele tivesse uma chance, se os processos hospitalares existissem… A falta de percepção do tempo/ gravidade e simplicidade na condução do caso, a ausência de uma liderança, um gestor médico, capaz de interferir diretamente na internação assumindo riscos ao decidir mais precocemente por uma terapêutica, impedindo procedimentos mais complexos sujeitos obviamente a maiores complicações e por fim punindo, dizendo não! Àqueles que não fizeram o que deveria ter sido feito, selaram seu prognóstico. Atitudes médico-administrativas como as sugeridas, poderiam modificar o quadro geral da assistência pública e privada deste país. Não basta ter os equipamentos necessários, a melhor hotelaria, o povo mais adestrado a dizer sim… Se tudo isso não for direcionado eficientemente para salvar vidas. Não se consegue isto apenas com auditorias unilaterais, nem com os melhores profissionais, nem com muito dinheiro… Só se consegue isto modificando a cultura de pessoas envolvidas no cuidado médico hospitalar, que esteja voltada para a verdade como premissa e no melhor resultado como finalidade.
Por hora, enquanto não conseguimos mobilizar todos os implicados neste processo deixo minhas sugestões aos leitores:
1) Não escolham médicos ou hospitais pela marca. Tenham a certeza que isto só reflete a posição deles, que não é isenta!
2) Escolham primeiro o médico gestor e paguem por este profissional, pois seu plano de saúde não cobre!
3) Não confiem em indicadores isolados de qualidade (tema do nosso próximo assunto), ou em estruturas com muita divulgação na mídia, pois devem estar alocando recursos no lugar errado!
4) Procurem hospitais com o melhor corpo de enfermagem, pois em última análise são elas que cuidarão de você! Aquelas equipes que sabem do seu problema e se interessam por você, transmitindo seus problemas e cuidados para o próximo plantão.
5) Não assuma o seu próprio caso nem o de parentes próximos, ninguém merece isso…
6) Tenha compaixão com os profissionais que estão cuidando de você, pois isto irá atenuar a sua dor…

O Tempo e o Vento

Este ano aprendi algumas coisas sobre a natureza e com vocês desejo compartilhar este sentimento. O Tempo é vida e o Vento também, mas nascimento e morte, isso é coisa do vento… Do Tempo, vem essa mania de ser primeiro, como o “chincheiro” que com o pó chama o Vento. Este, sem pressa, como que acometido pelo acaso, executa a ópera no bravo com problema de escuta, que como uma puta vende sua história ao capricho do Tempo. O tempo obedece, o vento rompe, o tempo engana, o vento clama, o Tempo é óbvio, o outro desengana. Um cansa o outro espanta, cria, evolui e submete. Revela-se na dor e no autoconhecimento… um sinalizador. O Tempo é entretenimento, a paixão, os colegas e a moral. O Vento é o costume, a disciplina e o desigual, o amor profundo, amizade madura que perdura… O tempo quer… O Vento é… O Vento persiste, o Tempo insiste, ilude e mente. É o poder, a massa que engorda, a vaidade que enrola. O outro como a bigorna, transforma. Um passa o outro fica e ao que tudo indica não está na necessidade, mas confiança. O Vento é pai, mãe e irmãos e antes de tudo isso a sua vocação e talento, a contribuição ao espaço, a solidez do mormaço. E fique esperto, pois também é a doença, a trajédia e a cura, como a água mais pura, o Vento é “Deus”… E o Tempo, ah o Tempo… Ao contrário do Vento que é movimento só distrai…

O buraco e os Elos perdidos da saúde

O buraco e os elos perdidos da saúde
Foi em São Paulo próximo a nova estação do metrô, em construção, que se revelaria aquilo que só se guarda em caixinhas bem fechadas. Fruto provavelmente de algum super faturamento, com o rotineiro sub provimento que, de repente, fez-se um buraco em São Paulo.
Abduzidas foram as casas adjacentes a obra e com elas seguiram algumas almas perdidas. Horas depois do “vácuo” e antes do isolamento viam-se pessoas que tentavam encontrar dentre os destroços aquilo que de maior valor possuíam em suas residências. Lembro-me de um senhor a procura de seus documentos, outro desesperado por rolos de filmes, e uma terceira clamando por suas calcinhas… Se há alguma coisa em que somos diferentes nesta vida está em nossa escala de valores. Valores estes pelos quais devemos conduzir nossas vidas. Ao contrário do “hobie” que praticamos na tentativa de relaxar e quebrar a rotina do trabalho, valores são algo que temos de perseguir com a mesma intensidade que os três procuravam por aqueles objetos ou “elos perdidos”.
Investigando um pouco mais descobri que àquele à procura dos documentos era garçom e frequentador da igreja evangélica. Os filmes tratavam-se de conteúdo familiar, aniversários, encontros natalinos… E a danada da dona das calcinhas? Minha imaginação foi longe…
Foi então que com um pouco mais de conversa, o garçom foi me dizendo que não suportava mais seu trabalho, pois era obrigado a vender aquilo que Deus condenava, bebidas alcoólicas! O cineasta revelava saudades da época que sua família se reunia e que por desavenças particulares e até por disputas de herança, após a morte de seus avós, ninguém mais se encontrou nem nos Natais… Naqueles filmes estavam as melhores recordações de sua vida. Perguntei a ele se tinha constituído família, respondeu que sim, mas que lamentava o fato de que não passamos nem 50% de nossas vidas com as pessoas que mais amamos…
O buraco do metrô, assim como a vida, representa as mudanças súbitas que sofremos. Ao roubar moradias acabamos por lamentar mais pela grandiosidade de pequenos objetos desaparecidos. O “funil” orquestrado por homem e natureza deixava o garçom à procura de seu registro perdido, a ilusão de que um documento de plástico o faria viver uma única identidade de valores em casa e no trabalho, sob um único Deus. Deixava também o rapaz só, com a tristeza agudizada pela ausência de amores, a afetividade familiar que possivelmente não conseguiu reeditar.
E a moça das calcinhas, procurava o quê? Foi quando adentrou em meu consultório a maior de todas as estórias, uma “menina” frágil de 45 anos trazida por uma cliente mais antiga. Queixava-se de uma alergia importante vulvar. Curiosamente ao ser examinada vestia calcinhas de algodão com um conhecido personagem infantil. Foi quando investi com humor na descoberta: “preferes o Pateta ao Mickey, por que não escolheste o rato?” A resposta veio na mesma velocidade: “porque o rato já conheci na minha infância, se chamava pai e era aqui que destilava seu beijo de boa noite”.

Sobre lobos e ovelhas

É singular dentre todas as questões da humanidade, a frenética necessidade que o homem tem em revelar verdades e mentiras. Tão eloquente quanto, são os consequentes rótulos que se seguem dividindo a mesma humanidade entre: honestos e disonestos, bons e maus, pobres e ricos e bonitos e feios. Para mim estas questões são sempre confusas, tem dupla face, em cada perspectiva um olhar diferente… São como mutações só possíveis de definição fotográfica, na velocidade de um flash. E é nesta mesma velocidade que as pessoas decidem, precipitadamente, entram em pânico e a solução normalmente fica pior que o problema. É por este motivo que neste breve texto decidi escrever sobre pessoas e não sobre circunstâncias… O conhecimento sobre pessoas é mais sólido que julgamento sobre as atitudes delas mesmas. E é com este objetivo que me atrevo a dissertar sobre lobos e ovelhas. Predador e presa. Culpado e inocente. Que me perdoem os verdadeiros Lobos e as Ovelhas…

Ovelhas normalmente não conseguem se passar por lobos ao contrário destes últimos, que facilmente se comportam como ovelhas. Pervertendo a ordem natural universal: nascimento, crescimento e morte, antecipam este último elemento aos primeiros. Não é tão difícil reconhecer lobos se passando por ovelhas quando temos tempo e paciência para observação. Os lobos, trabalham encurtando o tempo, urgenciando soluções e determinando diagnósticos, levando medo as ovelhas. No intuito de desgarrarem o bando, tornando as ovelhas presas mais fáceis. Menos numerosos que as ovelhas, não tem o dom da creação, somente o da morte. O encerrar de relações, amizades, famílias e afetos, o amor que liga o grupo de ovelhas. Astutos os Lobos esperam a hora de agir normalmente quando as ovelhas perdem seus líderes-pastores, agindo rapidamente. Não tem compaixão, mas demonstram muita emoção, se parecem com ovelhas, feridas ou isentas – apartidárias, são capazes de deitarem-se ao chão para que o bando passe por cima, como um tapete de falsa humildade. Não se contentam em caçar uma ovelha, deliciam-se com a ruptura do grupo, pois sua verdadeira fome é de vingança. Vingança esta que sua própria inveja e “a-bando-no” cunharam. Lobos são vaidosos, querem do bom e do melhor, só agem por interesse e se afastam quando nada mais tem a ganhar… Lobos acusam sem ofender, ovelhas ofendem sem acusar, não guardam rancor, são movidas pelo momento pelo salto das que lhe antecederam. Devotas ao que lhes foi ensinado agem repetidamente da mesma maneira. Tem seu olhar somente para sua família, não para a matilha. Lobos tem visão estratégica, mas nada criam. Ovelhas são míopes, mas procriam.

Logo ao se depararem com uma situação difícil em que lobos e ovelhas se misturam sem distinção, não tomem decisões precipitadas, lembrem-se que os lobos só são vencidos pelo cansaço e pela fome de não conseguir devorar, destruir a unidade e o amor. A coesão enfraquece o coiote. A convicção no ser bom, arremete para longe atitudes equivocadas e reflexas que este mesmo ser – por hora – com medo dos canibais toma precipitadamente. Coisas que podem ocultar e de palavras que podem ofender. As ovelhas sempre voltam para a sua família, para o seu pastor. Se perdem com a ausência do pastor. E quando não o fazem, passam uma vida envergando lobos em torno de si… As ovelhas transmitem esta noção de unidade e amor para seus filhos… E quando vão embora nos sentimos sem ter com o que nos aquecer…

Germinando

Os germes “modernos” são o abandono, a tristeza, a frustração, a menos valia, a indignação, a injustiça, a desconfiança, o ódio. E, como já vimos, contaminam não pelo ar, mas pelo olhar, através de maus relacionamentos. E o que é um relacionamento mal estruturado? É aquele que atende basicamente mais um indivíduo que outro. E por que são estruturados desta forma? Para que haja uma estrutura desta natureza, é necessário que se dê diferentes pesos aos objetos do desejo. Dinheiro e poder valem mais que tempo e trabalho – inversão de valores – o resultado é mais importante que os meios para consegui-los. Comida virou ponto de referência para extração de energia na sociedade urbana, esquecendo-nos que os relacionamentos também são geradores de energia. Alguns valores urbanos como a solidariedade, são esquecidos, talvez por uma estrutura de transportes, médica e educacional farta. Valores são perseguidos por nós incondicionalmente, sem que observemos nossos verdadeiros desejos. Sofremos todos, poderosos e oprimidos, possuidores e despossuidores. Carregarmos o peso de grandes decisões, adoecermos pelo esforço, desenvolvendo estados de fadiga absoluta, de ansiedade, de câimbras, de sudorese profusa, sem conseguirmos, nem mesmo, manter nossa concentração no trabalho. Obesos que não conseguem reter energia pelo afeto, com uma demanda excessiva, buscam incansavelmente fontes de energia em seus relacionamentos, até esgotarem o amor do outro.

Sentimentos transformam-se em doença crônica, encapsulados numa redoma, sem germinar. Sem serem exercitados no dia-a-dia ou esgotados até o último suspiro, desenvolvem uma atmosfera que apodrece ao longo do tempo, dando espaço para o surgimento de moléstias que agridem o próprio corpo.

Contágio

Diante das calamidades públicas, com morte de quase dois terços da civilização humana até meados do século XIX, os estudiosos da época encontravam naquele ambiente a essência para o estudo do homem. Uma das muitas perguntas que se faziam na época era por que determinadas doenças acometiam uns e não outros. A resposta veio ao longo dos anos seguintes por diversos canais. Através das descobertas dos microorganismos e vetores (mosquitos) como agentes transmissores de doenças, pareceu-nos em determinado momento que havíamos solucionado as causas das moléstias epidêmicas e endêmicas que acometiam o homem.

No que pese a enorme contribuição social que os processos de higienização trouxeram para a sobrevida humana, temos nos deparado freqüentemente na clínica, com doenças endêmicas, multicausais, que assolam a sociedade ocidental com problemas limitados de saúde. A globalização tem evidenciado este problema, tornando refém dessas moléstias as civilizações que mais espetacularmente vivenciam esta cultura. Dentre elas, a americana e a nossa civilização urbana. A obesidade, a ansiedade, a depressão e a criminalidade são exemplos óbvios e atuais desse processo de adoecer e contra os quais temos tido grande insucesso. As ferramentas clássicas de que dispomos são ineficientes ou incompatíveis com qualidade de vida.

O século XVIII, o último antes da revolução microbiana, esmerou–se na identificação de processos patológicos de causa “imaterial” e foi muito feliz em estabelecer nexo entre doenças e sentimentos. Abandono, medo, tristeza e ódio são exemplos de sentimentos encistados em nossa sociedade “moderna” e que identificamos na gênese de doenças, como nas mencionadas anteriormente. Quando vivenciados como uma “semente vegetal, capaz de reter sua capacidade de germinar, durante longos períodos de tempo”, são capazes de se transformar em patologias identificadas pelo médico comum e pela sociedade.

No dicionário de língua portuguesa também se define como doente aquele que sofre de mal moral. E moral é um conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada, relativo ao domínio espiritual (em oposição ao físico ou material). A dor, dentro deste contexto, advém da ausência de reciprocidade dos nossos sentimentos, com os sentimentos alheios e com o ressentimento, e da idéia de que o outro tem interesse oposto ao seu. A inveja e a ira reconhecidamente os piores sentimentos perceptíveis no ser humano, tidos como pecados capitais, recheiam um universo de relações que caracterizam o contágio.

Esta transmissão se dá pessoa a pessoa pela comunicação entre elas, nos ambientes de trabalho, de família, em grupos de amigos, reuniões sociais etc., roubando a força de organização de saúde dos indivíduos sensibilizados, contaminando-os. Logo, a mecânica terapêutica pode ser mais abrangente que as restritas consultas individuais e tem de contemplar o grupo, medicando-o uniformemente, após a identificação da cultura perversa instalada. É vasta, hoje em dia, a disponibilidade no mercado de remédios da fauna, da flora, dos minerais e dos metais que, usados em doses mínimas, segundo uma experimentação prévia, são capazes de fazer germinar a “semente” encistada dentro de nós, autentificando as relações, diminuindo as doenças e melhorando a produtividade dos grupos, das empresas e da sociedade.

Por quê?

Ela chegou e disse:

- O que é que tem nesses vidrinhos aí?

Por quê? Interpelei, como se já não soubesse…

- Dr… Mudei minha mesa de lugar no escritório, pedi minha separação pro meu marido, briguei com minha mãe e estou encarando umas baladas…

E o sono…

- Estou dormindo que uma beleza!

Emagreceu?

- Perdi 1,5 kg sem fazer muito esforço, tenho conseguido ficar um pouco mais distante dos doces!!!

Sexo.

- Conheci um cara…

Medos…

- Chorar agora só com hora marcada, não estou mais me sentindo tão só.

São histórias como essa, vivendo cotidianamente, que me encorajou a fazer este livro.

A história acima aconteceu no meu consultório e mostra uma ex-paciente assumindo o controle de seu corpo, de suas emoções, de sua vida, o seu mundo e não um desvio da moral familiar dos “bons” costumes. O caminho para a cura.

Durante dez anos pesquisei e compilei cenários em que almas e corpos se entrelaçam na busca de um equilíbrio tentando diminuir angústias, tensões e dores.

Vou descrever situações em que almas em conflito geram doenças. Almas que se chocam dentro de casa e nos escritórios pelo poder que imobiliza, afasta e corrompe os organismos. Este livro vai lhe ajudar a se ver de fora. E as histórias que reproduzo sustentam e geram outro poder, o de decidirem sobre suas próprias vidas, que sugeri com bons resultados ao longo dos últimos dez anos.

Você acompanhará também almas solitárias buscando se vincular ao universo de outras almas fora do seu contexto imediato. Por querer mais poesia, mais arte, mais alegria ou mais amor. Um esforço solitário que quando bem sucedido vira sucesso. Quando as tentativas falham, vira hipertensão, depressão, obesidade e medo.

A cura começa ao identificarmos como as relações entre gente, entre conceitos conflitantes com desejos, geram um poder perverso que acabam por se encistar o corpo das pessoas. Num lugar vazio, que nada floresce, o Eu só. Que cresce esmagado, como um nódulo que nos incomoda e acaba virando doença.

O Instituto de Valorização da Saúde estuda o homem sob a ótica dos desejos, das relações entre almas e poder. Tenta mobilizar a integridade da pessoa (corpo e alma) a seu favor. Mobilizar o ser vivo a favor de sua própria saúde, aprendendo a gerenciar conflitos, tensões e angústias para evitar doenças.

Vou mostrar também que é muito mais difícil buscar a Saúde do que sugerir panacéias para as doenças catalogadas.

A Saúde ou a cura (ou seja o retorno à Saúde) na maioria das vezes está ao nosso alcance. Este livro e o Instituto de Valorização da Saúde pretende ser o seu apoio nesta conquista.

O mundo virtual

“A folha toma a forma específica do carvalho, do bordo ou da bétula de folhas serrilhadas porque algo no vazio circundante governa o modo de ela se formar de acordo com sua espécie”- Goethe. Nem tudo é genético ou a genética não governa tudo, mas atua de forma interativa com o meio. E o meio é o vazio, o espaço entre um e outro indivíduo, que só existe quando através das relações se percebe a distância ou proximidade que nos encontramos uns dos outros. É na análise deste universo quântico que começaremos a desvendar o invisível. Nos utilizaremos de diferentes modelos, o valor destes modelos está em estabelecer uma definição, um padrão útil para medir aproximações. Nos valeremos dos arquétipos, modelos, que há 200 anos frutos de experimentações médicas, delinearam os chamados policrestos homeopáticos. Exploraremos as relações ancestrais que os dois maiores pecados morais: ira e luxúria, traduzidos sutilmente por Jung e Freud como poder e desejo interferem na saúde organizacional. É claro que o mundo virtual é bem mais amplo e fazem parte deste, também aspectos ambientais como: poluição do ar, sonora, visual, alimentos impregnados de metais e significativa carga hormonal, ondas eletromagnéticas dentre outros. Porém não sentimos, que estes elementos sejam tão relevantes nos processos patológicos endêmicos atualmente registrados: obesidade, ansiedade, depressão e criminalidade.

No excepcional livro de James Hillman, Tipos de Poder, que define poder como ser capaz, pura potência, não o fazer mas a capacidade de fazer, a energia oculta capaz de desempenhar um trabalho ou mudança. O desejo, muitas vezes representado como impulso sexual, na verdade é o estopim, a centelha que deflagra o poder como instrumento para a aquisição de um bem. Entender desejos passa pelo entendimento dos códigos de cada indivíduo, o que dá ou não prazer para cada um. Entender poder passa pelo entendimento dos códigos sociais do que é bom ou ruim – sucesso ou fracasso. Ambos têm obviamente conexões intrínsecas indivisíveis, mas podemos separá – los para melhor explicitação dá técnica. O poder exercido sobre um indivíduo, advindos dele próprio ou de outrem, poderá cura – lo ou adoece – lo, mas se perpetuado por longo período de tempo, mesmo que o considere como “favorável” levando – o a “ganhos” de qualquer natureza, irá adoece – lo. Assim são os miasmas, como uma crosta endurecida pela poeira que só o tempo é capaz de sobrepor e diferentemente de doença age como uma força que nos mantém encistados, impedindo de germinar. Em outras palavras as sementes são os nossos desejos e o poder, esta força que quando perversamente exercida sobre nós, detém nossos pensamentos, fantasias, sentimentos e hábitos num patamar inferior, de sofrimento.

Do mal moral

Como os dicionários usuais definem, moral é um conjunto de regras consideradas válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa.

Conceitos morais vividos rigidamente por um longo período de tempo nos faz adoecer. Então, por que, então, criamos a moral?

Em nossa visão elementar, a moral, as regras, os limites são criados, em primeiro lugar, para nos proteger de nós mesmos, afinal, somente homens e baleias orcas, enquanto espécies, não possuem predadores naturais neste planeta, deixando o legado do medo e da insegurança para nossos pares, ou seja, “o inferno é o outro”. Em segundo lugar, o instinto nos une, agrupa-nos para que consigamos obter algo que desejamos e que não conseguimos sozinhos. Então, criamos limites (regras) para estarmos o mais focados possível nesse objetivo. Esse conceito organizacional, que se exterioriza como regra, também nos serve para não perdermos tempo repetindo serviços que outros pares dessa comunidade realizam. Assim é a lógica das organizações sociais e governamentais: família e empresa.

Em tudo que fazemos precisamos de nossa libido, fonte maior de nossa força vital, capaz de manter nosso corpo organizado de forma a não adoecer. No entanto, os valores que regem o ser humano como indivíduo são diferentes. Assim, diferentes idéias estimulam sentimentos diferentes, mobilizando diferentes pessoas, em diferentes momentos, para diferentes objetivos, devendo utilizar-se de regras diferentes – mas, infelizmente, isso ocorre quase sempre na mesma organização conceitual. O mal moral que adoece as pessoas é a vitória do plano estratégico das instituições sobre os desejos particulares de cada indivíduo. Regras consideradas válidas para todos atendem ao plano de alguns do grupo, mas frustram a particularidade da maioria, ou seja, a intimidade dos nossos desejos. A cultura de uma organização sem arte é a moral que permanece por muito tempo e acaba por implodir seus indivíduos em constante transformação, enrijecendo-os com artrites e artroses. Cotidiano sem sincronia com nossos desejos íntimos é a moral que criamos para nós mesmos e que exerce pressão de ruptura em nosso organismo, tornando-nos hipertensos em primeira instância (fase reacional fisiológica) para, em seguida, lesar nossos órgãos de forma irreversível.

Viver em harmonia com a comunidade é exercer papel complementar ao outro, afugentando assim o medo básico que seu par tem de ser devorado, superado ou vencido, abandonando a tensão ou o poder que emperra, imobiliza, afasta e corrompe os organismos físicos e que se traduzem, mais à frente, em doença. É natural e permanente exercer uma função complementar, que se soma à função do outro e, logo, deve ser perseguido. Essa postura no mercado e na vida é estratégica e tem poder mobilizador (saudável, dinâmico e não estático) que aproximam e revolucionam as culturas e a saúde das instituições.

Inteligência Emocional e a enfermidade

 

Desde que promoveram a supressão de emoções à condição de símbolo de inteligência, que a enfermidade galopa em nome da velha obediência civil.

Sinval era um funcionário exemplar: não faltava, tinha MBA, não recusava serviço, adequadíssimo, a simpatia em pessoa. Tinha tudo para ser o eleito para a vaga de seu superior. E foi. Quanto mais subia de cargo, mais sapos engolia. Começou com uma leve dor de cabeça as segundas feiras. Procurou um neurologista, que com um exame não tardou a lhe dar a boa notícia:

- Não é nada Sinval…

Tomografia, com efeito placebo, sobre a cefaléia do rapaz.

Um mês depois procurou um gastroenterologista por conta de uma queimação no estômago. Gastrite leve, nada que um remedinho não resolvesse. Seis meses bem, foi ao endocrinologista, diagnóstico: obesidade. Dieta verde, dieta animal, academia e terapias…. Cinco idas ao pronto socorro por dores no peito e de barriga, só um mal estar e “virose”. Duas internações por cólica renal, uma resolvido com a explosão da pedra a outra nem cálculo encontraram… Finalmente decidiu procurar um psiquiatra que não tardou a lhe prescrever um antidepressivo. Momento este, o mais feliz da sua vida…

O empresário seguia feliz com seu bom salário e bom plano de saúde. O custo rateado pelos demais funcionários, não chamava a atenção.

O que não foi dito é que tudo isso era parte de um processo que iria resultar em doença de verdade, Sinval estava enfermo.

A enfermidade é um processo patológico presente ou não na doença. Um sofrimento, na forma de um ou mais sintomas. Ausência de bem estar percebido pelo indivíduo afetado ou por outros. Uma anormalidade de função ou comportamento, na qual a pessoa afetada não pode ser responsabilizada.

O progresso do sofrimento sem o rótulo da doença costuma não ter tratamento correto. O diagnóstico biológico, como princípio do tratamento afugenta a cura…

Finalmente para tranqüilidade dos médicos, que agora sabiam o que fazer e parentes do Sinval, que agora tinham pelo que pedir em suas orações, ele fez um aneurisma.

O que levou Sinval a adoecer?

Acreditem! Nosso sistema produtivo e cultural. A cultura da obediência para a sobrevivência, do valor vinculado a bens materiais como sinônimo de sucesso e prestígio social, das metas intangíveis pelo lucro, da dissimilação em nome da tolerância, da supressão emocional com intuito de diminuir a resistência a projetos individuais e organizacionais, da crítica persecutória voltada ao perfeccionismo utópico e da guerra fria pelo não comprometimento pessoal, estão transformando gente em doente. Uma carga que endurecem articulações, enfraquecem mentes e corações, explodem pequenos vasos sanguíneos, queimam estômagos, alteram menstruações, obstruem intestinos e exaurem corpos que doem…

A necessidade de uma visão de bem comum é urgente. O ser humano clama por boas intenções, negociações ganha – ganha, egos diminutos e inteligência criativa. Respeito total ao outro pela compreensão íntima de nossa fragilidade e interdependência. A percepção que o roubo é o único pecado. Em suas diferentes formas e variações transforma a verdadeira inteligência emocional, a do respeito, numa burrice glacial que acelera nossos corpos para o caus.